O Pearl Jam ainda é moderno.

Está começando na música, ainda que de forma bem devagar, um movimento de volta às raízes noventistas. O (extinto? Oi?) CSS veio com as cores, mas empacou nas guitarras oitentistas. O Copacabana Club – outro brasileiro – está seguindo o mesmo caminho. DJs de mash-up como Girl Talk abusam dos samplers de Temple of the Dog, Jay-Z, Aphex Twin, Radiohead, Yo La Tengo e muitos outros produtos dos anos 90. No rock a coisa anda mais contida, mas os primeiros grandes expoentes são o Foals – que tem o melhor disco de 2008, chamado Antidotes -, e o Golden Silvers, da chicletona e bonita “True Romance”.

O baixo à lá de Clash do Foals embala a volta do reaggae no rock

E no Golden Silvers, o que não falta é referência à disco music

No meio de tantas voltas sonoras noventistas, há uma que ainda não foi explorada por nenhum grande grupo: o grunge. Que é um estilo estranho. Estranho porque em todo o grunge (Nirvana, Soundgarden, Alice in Chains, o próprio Temple of the Dog) não há elementos comuns entre todas as bandas. Só o barulho de guitarras. Mas isso é próprio do rock em geral. E se ninguém voltou ainda com as camisas xadrez e os cabelos ensebados – e a heroína – o espaço ainda é propício para aqueles que sobreviveram. O Pearl Jam. Eddie Vedder e sua turma deram um jeito de evitar suicídios por espingarda, overdoses de drogas, prisões e mais prisões por drogas, cair na breguice de projetos paralelos caça-níqueis.

É clichê, mas não deixa de ser mentira. O Pearl Jam é como uísque ou vinho. Quanto mais envelheceu, mais melhorou. Há pouco lançaram Backspacer, o nono disco de estúdio da carreira. Agradável, o álbum mostra uma banda honesta e jovial. Como não há nada como o grunge, é ridículo dizer que a sonoridade deste se afasta do movimento. É, sim, repleto de guitarras enfurecidas e das poesias Vedderianas (inventei um termo!!). E há um alívio pelo fim do governo Bush, que foi mote dos três discos anteriores da banda – Binaural, Riot Act e o homônimo Pearl Jam, embora esse fosse muito menos soturno que os outros dois.

Backspacer é a grande volta da banda aos anos 90. Pelo menos à sua própria época. Músicas como “Unthought Known” lembram as baladas de No Code (1996). “The Fixer”, o primeiro single lançado, tem semelhança com o seminal Vs. (1993). É veloz e direta como todo o antigo disco, que tem as maravilhosas “Glorified G”, “Animals” e “Rats”.

The Fixer, o primeiro single

http://www.youtube.com/watch?v=w_d6Km3QJFc&feature=fvst

(clica e assiste no Youtube, porque o Pearl Jam não deixa incorporar)

Já “Supersonic” tem a bateria do estranho e bonito Vitalogy (1995), ainda que sem o experimentalismo e melancolia do disco. E é justamente a melancolia que talvez faça falta à tantos fãs de Pearl Jam. Agora adultos, eles já não gostam da banda, que deixou de lado a tristeza comum nos trabalhos anteriores para dar espaço a um rock mais tradicional. Só que o mundo mudou, a banda cresceu, e eles também.

E já que estamos falando de velharias…

Nos últimos meses, venho me dedicando a ouvir alguns discos clássicos, principalmente de épocas anteriores à minha. Vou tentar falar um pouco disso a cada semana que escrever aqui. Mas já que hoje rolou um papo sobre os anos 90 e sobre o grunge, vou bater em uma tecla conhecida: o acústico do Nirvana.

O disco ainda é bonito e contemporâneo, apesar da evolução (involução? Talvez…) da música nos últimos quinze anos. Consigo contar nos dedos quantos acústicos produzidos pela MTV são tão bons: o dos Titãs, o da Alicia Keys e o No Quarter – aquele em que Jimmy Page e Robert Plant tocam músicas do Led Zeppelin. Tá, os dois REM também são bacanas,  mas o do Paralamas também é. Já o do Bryan Adams…

A verdade é que o acústico do Nirvana virou sinônimo do cover de “The Man Who Sold The World”, do Bowie. Mas o disco é muito mais. Kurt Cobain se mostra vulnerável e humano em todas as suas conversas com a banda e a plateia. As versões de “Come as You Are” e “Something in the Way” são, talvez, melhores que as originais. A política “Plateau” continua verdadeira até hoje, e “Where Did You Sleep Last Night” ainda é uma das músicas mais soturnas já gravadas.

“Tell me where did you sleeeeeeeeeeeep last night”

Por enquanto é isso. Nos falamos de novo semana que vem.  Até.

Artur Tavares

Artur (sem agá) é meio nerd, entende tudo de quadrinhos, música e pornografia, e a partir de hoje será nosso colunista semanal. (aplausos)

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